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AGRESSÃO
Líbano refém da guerra
Europa refém dos EUA
Agosto 2006
Ao fim de três semanas
de guerra passamos em revista a tragédia: um país
refém de uma agressão criminosa que está para
durar; uma segunda nação, a palestiniana, que continua
a ser atacada, mas onde a cobertura passou para as notas de rodapé;
uma Europa que, procurando distanciar-se dos EUA, uma vez mais é
raptada pelos seus governos mais atlantistas; e uma tragédia
humanitária sem precedentes na região. Tudo em nome
de "um novo Médio Oriente" - o que se descobre
no atoleiro iraquiano.
Ao fim de três semanas de guerra, eis a situação:
Israel destrói e ocupa, mas o Hezbollah resiste muito para
lá do que seria imaginável. É agora claro que
o objectivo de guerra de Israel - o desarmamento da Resistência
- não será atingido. E. Olmert declara que o Tsahal
parará as hostilidades mal a ONU coloque "uma força
robusta" nas suas linhas. Isso é agora manifestamente
impossível. O desejo anterior de Israel - uma força
da Nato - morreu ainda na semana passada; o mesmo sucedeu com a
hipótese de uma "força europeia" sem mandato
da ONU. No Conselho de Segurança da ONU, França e
EUA tentam a quadratura do círculo. Sem sucesso. Com
efeito, a maioria dos governos europeus e os países
árabes moderados perceberam a armadilha em que os EUA e Israel
os querem colocar - fornecerem os homens e os caixãµes
para uma "força robusta" com mandato para concluir
os objectivos do Tsahal...
Quem de inicio alinhou com os EUA, condena agora
o exército sionista. De facto, os apoios a Condolezza Rice,
limitam-se a Blair, Angela Merkel e o governo polaco de extrema-direita.
Esta "frente atlantista" é minoritária,
mas está a conseguir reeditar um filme já gasto -
a inoperância da União Europeia sempre que esta procura
uma posição autónoma dos EUA em face dos conflitos
no Médio Oriente. Em qualquer caso, as mudanças de
posição são de monta. No Parlamento Europeu,
a Conferência de presidentes dos grupos parlamentares melhora,
de reunião para reunião, os seus compromissos. E no
Conselho, a posição francesa, que é também
a da presidência finlandesa, é maioritária:
uma força multinacional que possa ser olhada pelos libaneses
como um corpo de ocupação destinado a concluir a obra
de Israel é, além de uma absoluta irresponsabilidade,
um prémio ao agressor e uma punição do agredido.
Quanto ao Líbano, cerrou fileiras. Fala
a uma só voz desde a fracassada Conferência de Roma.
Fouad Signiora, o primeiro-ministro, deu uma bofetada
de dignidade à conselheira norte-americana na manhã
em que se conheceu o massacre de Qana. Falharam - pelo menos para
já - as tentativa de dividir o governo, isolando os partidos
de base chiita. Ao contrário, as posições pró-americanas
que se exprimiam no inicio do conflito em privado, são agora
residuais no país dos cedros. Residuais, patéticas
e criminosas.
Perante esta situação que corre o
risco de se eternizar, agrava-se a situação dos deslocados,
cujo contingente se alargou consideravelmente durante os primeiros
dias desta semana e atinge 1 milhão de pessoas. Eles são
a mais urgente razão para um cessar fogo imediato. Que todos
aceitam - menos quem vê nesta guerra o segundo momento do
parto sangrento e doloroso do "novo Médio Oriente"
prometido por Washington ao Mundo. O problema desta promessa é
que ela se revela no atoleiro Iraquiano...
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