| Sessão de
8 de Junho de 2005
Sob o impacto do Não francês e holandês,
um Parlamento em estado de choque discutiu a agenda do Conselho
Europeu que se inicia a 16 deste mês e que, além de
decidir sobre o que fazer ao Tratado, ainda tem que fechar as Perspectivas
Financeiras da União para o período de 2007/2013.
Eis os primeiros comentários.
EUROPA 29M (I)
O "casino" em Estrasburgo

Tinha que ser e já começou. As lideranças
europeias não sabem o que fazer com o voto popular em França
e na Alemanha.
Na mira está o Conselho Europeu do fim da
próxima semana e, de momento, existem sentenças para
todos os gostos.
O debate parlamentar de quarta feira foi elucidativo
porque, se Barroso e Claude Juncker falaram sem se comprometerem,
os deputados abriram o livro.
Por uma vez, a direita exibiu a sua decepção
com o povo. E um Cohn Bendit apoplético expressou bem o desespero
dos que tudo apostaram num Tratado que se revela um cadáver
adiado.
Com diferentes matizes jogam-se duas teses: cancelar
o Tratado para evitar o pronunciamento dos povos, salvando o essencial
da ordem e das aparências de Bruxelas; ou dar combate até
ao fim, na secreta esperança de que o rolo compressor dos
poderes instituídos salve o Tratado domesticando as opiniões
públicas.
Entre as duas teses, o mais provável é
que o Conselho acabe por decidir uma salganhada que não serve
ninguém: Tratado no limbo, mas quem quiser prossegue com
as ratificações...
Declaração
de Francis WURTZ, Presidente do GUE/NGL, sobre o Conselho Europeu
de 16-17 de Junho de 2005 e a situação após
o referendo em França e nos Países Baixos
Estraburgo, 8.6.05
EUROPA 29M (II)
Mais países com menos dinheiro

Em paralelo com o debate sobre o Tratado, Estrasburgo
teve que discutir as Perspectivas Financeiras da União para
2007/2013. Também elas constam da agenda do Conselho.
Já de si, o assunto era difícil.
Sob o impacto da emergência do protesto popular nas urnas,
tornou-se dramático.
Os líderes precisam desesperadamente de
chegar a um acordo que salve as aparências da União
ante as opiniões públicas. Mas, para sua desgraça,
a gama de acordos possíveis apenas ilumina a actual crise
do projecto liberal europeu.
Claramente, a presidência luxemburguesa da
União posicionou-se na banda das pretensões dos países
mais ricos; quanto à comissão, procurou aproximar
as suas posições da proposta aprovada pelo Parlamento
e que fica a "meio caminho" das duas. Mas nos 9 dias que
faltam para o momento fatal, a disputa sobre os 150 mil milhões
de euros que separam as propostas, vai ser cerradíssima.
Nas instâncias de negociação, fala-se de um
número mágico: 1,055% do PIB europeu. Neste contexto,
os países de desenvolvimento periférico procuram,
acima de tudo, salvar para os fundos de coesão, 41 por cento
desse bolo. Não o conseguirão, a não ser aceitando
uma diminuição ainda mais intensa do "bolo"
global. Ou seja, a banda dos acordos possíveis tende ainda
para a baixa.
Resolução
do Parlamento Europeu sobre os desafios políticos e os recursos
orçamentais da União alargada 2007-2013
EUROPA 29M (III)
Crise aberta de liderança

Nos corredores e em várias intervenções
renasce a nostalgia dos "pais fundadores" e lamenta-se
amargamente a "falta de visão" das actuais lideranças
europeias. Eis a chave para compreender a crise actual: o esgotamento
das políticas da década de Maastricht aliadas a um
projecto europeu reduzido à mercearia entre Estados.
As decisões do Conselho serão sempre
reguladas por mínimos, pela simples razão de que essa
é a lei não escrita destes tempos de vazio de direcção
política da Europa.
As diferenças de opinião no comando
da União começam na definição do momento
que se atravessa: a União se encontra-se ante uma mera curva
difícil do processo; ou, pelo contrário, a emergência
de um novo protagonista - o povo - coloca a Europa ante um novo
estádio que exige a urgência de uma refundação
democrática?
À direita e ao centro há quem pressinta
e avise. Mas mesmo esses não têm resposta para a mudança.
Resta saber se os "de baixo" a conseguem encontrar na
acção em escala europeia. O desafio foi colocado pelo
referendo francês. Com ele nasceu o europeísmo de esquerda
popular. Nunca estes três termos se tinham conjugado simultaneamente.
E é esta circunstância que exige, ante a crise aberta
de lidranças, a emergência do Plano S - o de um movimento
unitário e plural para uma Europa Social.
L'UE
fait son mea culpa et sonne la mobilisation pour sortir de la crise
Par Bertrand PINON (AFP)
mportas@europarl.eu.int
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