| Sessão
de 11 deJulho de 2007
Debate sobre o programa da Presidência
Portuguesa da UE
Miguel Portas (GUE/NGL),
"O Presidente do Conselho em exercício
disse ter recebido um mandato “claro e preciso”. Concordo.
Mas sabe que, ainda este ano, em Espanha e no
Luxemburgo, os governos defenderão que o novo Tratado é similar ao anterior
e que, em consequência, desta vez chegará a simples
ratificação parlamentar.
Como sabe que em França e na Holanda, os governos dirão
exactamente o contrário, para sustentarem, afinal, o mesmo:
que não haverá referendo para ninguém.
Interrogo por isso o seu silêncio: teremos 6 meses de dupla
linguagem ou, finalmente, visão política para incluir
os povos na decisão?
Interrogo-o ainda sobre outros silêncios, estes no âmbito
da política externa.
A Europa não tem política para o Iraque. É preciso
que Washington decida chamar "os seus rapazes" para que
a passe a ter?
A Europa tem duas políticas para o nuclear iraniano. Terão
de cair bombas no Irão para percebermos que a escalada devia
ter sido evitada?
A Europa tem uma política irresponsável na Palestina
e no Líbano. Num caso, apoiou sempre o seu presidente, sem
reconhecer os governos; no outro, apoia o governo e é contra
o presidente... É preciso que tudo acabe mal, para só então
percebermos que o nosso papel deveria ter sido o de favorecer os
entendimentos internos nessas terras?
No verão passado, obcecados pela luta contra o terrorismo,
apanhámos com "uma guerra que não estava no
programa". Um ano depois, a guerra espreita de novo, inscrita
nos astros. Engenheiro Sócrates, só a evitaremos,
se a quisermos mesmo evitar. "
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