| PARLAMENTO EUROPEU
Sessão plenária de 18 a 21 de Junho de 2007 em Estrasburgo
Debate sobre o relatório "A meio caminho dos Objectivos
de Desenvolvimento do Milénio" O longo caminho a percorrer
Texto de João Viriato
Na sessão de 19 de Junho do Parlamento Europeu em Estrasburgo
foi apresentado o relatório da deputada Glenys Kinnock
intitulado "A meio caminho dos Objectivos de Desenvolvimento
do Milénio".
Os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (OMD), são
8 objectivos específicos de desenvolvimento definidos pela
ONU, que se pretende que sejam atingidos em 2015, a saber:
1 Reduzir para metade a pobreza extrema e a fome
2 Alcançar o ensino primário universal
3 Promover a igualdade entre os sexos
4 Reduzir em dois terços a mortalidade infantil
5 Reduzir em três quartos a taxa de mortalidade materna
6 Combater o VIH/SIDA, a malária e outras doenças
graves
7 Garantir a sustentabilidade ambiental
8 Criar uma parceria mundial para o desenvolvimento
Sendo que estes objectivos resultaram da cimeira da ONU em 2000,
o relatório pretende fazer um ponto da situação
quando estamos precisamente no ponto intermédio entre a
definição dos objectivos e a sua expectável
realização.
Todavia, o panorama não é muito animador. O relatório
nota que há muitos países da África subsariana
que não estão nem a caminho de alcançar qualquer
dos OMD, assim como regiões e grupos étnicos no interior
de países de rendimentos médios.
Em 2005, no Conselho da UE, estabeleceu-se que 0,7% do Rendimento
Nacional Bruto (RNB) de cada país seria doado como Ajuda
Pública ao Desenvolvimento, o que é considerado como
uma condição indispensável de modo a cumprir
os ODM, tendo-se entretanto definido o objectivo colectivo intermédio
de 0,33%.
Porém, nem mesmo esse objectivo foi alcançado. Em
2006, apenas 0,31% do RNB foi utilizado para ajuda efectiva. O
relatório cita casos efectivos de países que ficaram
muito longe dos objectivos propostos, como Portugal, com 0,21%,
ou a Itália, com 0,20%.
Mais positivo, segundo o relatório, é o esforço
no sentido da anulação da dívida externa dos
países mais pobres do planeta. Já houve 24 países
(18 deles africanos) que viram a sua dívida anulada. Ainda
assim, no relatório considera-se que muito mais tem que
ser feito, estimando-se que será necessária a anulação
de todas as dívidas de 60 países de modo a que estes
tenham possibilidade de atingir os ODM.
O documento conclui ainda que, para que se possam efectuar alguns
progressos com vista à concretização dos ODM, é necessária
uma acção radical no sentido de resolver as causas
estruturais da pobreza, o que inclui a criação de
sistemas de comércio baseados em regras justas, que permitam
corrigir os desequilíbrios do comércio mundial.
Outro ponto salientado no relatório é o facto de
que a luta contra a pobreza não se deve limitar ao crescimento
material. Desse modo, o desenvolvimento humano e social, a construção
da democracia e a promoção dos direitos humanos fundamentais
e do Estado de Direito devem assumir um papel fundamental no processo
de cooperação.
Glenys Kinnock faz ainda referência à problemática
das alterações climáticas, assinalando que
as comunidades pobres nos países em desenvolvimento são
as que menos contribuem para estas mas são aquelas que mais
sofrem com os seus efeitos.
Na conclusão do relatório, é mencionado que
o cancelamento da dívida foi, sem dúvida, uma iniciativa
pioneira, mas deve ser acompanhado de mudanças relativamente à ajuda
e ao comércio. A finalizar o relatório, uma frase
que sintetiza tudo aquilo que temos defendido: não devemos
apelar à caridade, mas sim à justiça.
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