| Sessão
de 25 de Abril de 2007
Debate sobre a União Europeia e os direitos
humanos no mundo
Miguel Portas (GUE/NGL),
"Senhor presidente,
Num bairro de Bagdade, o exército norte-americano constrói
actualmente um muro que, em nome da segurança, separa iraquianos
de iraquianos. Mesmo que os habitantes do bairro se lhe oponham
e até o primeiro-ministro iraquiano o critique.
Na política, a administração Bush adora muros.
Sejam eles em Bagdade, na Palestina ou na sua fronteira com o México.
A perspectiva dos europeus só pode ser diferente. Foi em
Berlim que caiu aquele que deveria ter sido o último dos
muros.
As relações euro-atlânticas deveriam, por isso,
ter a política no posto de comando.
Sucede que para a Europa do liberalismo económico, a política
são os negócios. Mesmo que a depreciação
do dólar, o dumping ambiental de quem não ratifica
Quioto e a diferença de direitos sociais dos dois lados
do Atlântico, mostrem como é perigosa a aventura do
abate cego de barreiras à circulação de capitais
num mundo que redescobre as "virtudes" perdidas dos muros.
Na cimeira, a Europa deveria ser firme nos recados. Mas essa
esperança
não se descobre nas declarações do Conselho
e da Comissão. Infelizmente e sem surpresa.
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