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Parlamento Europeu, sessao de 15 a 18 de Janeiro
de 2007
POST IT | Carmen Hilário
e Margarida Vasconcelos
Ano Novo, Vida Nova, Novos Eurodeputados
A 1 de Janeiro de 2007 a União Europeia deu as boas-vindas
aos dois novos Estados-membros: a Bulgária e a Roménia.
No dia 15 de Janeiro, o Parlamento Europeu iniciou a sua primeira
sessão
do ano dando as boas-vindas aos 35 eurodeputados romenos e aos
18 eurodeputados búlgaros.
Mas, o que não se esperava era que graças aos novos
eurodepudatos fosse criado um grupo político de extrema-direita
no parlamento europeu - "Identidade, Tradição,
Soberania" (ITS). O novo grupo político é composto
por 20 membros que representarão 7 países: França,
Bélgica, Itália, Áustria, Reino Unido, Bulgária
e Roménia. Por ironia do destino, a maioria dos partidos
políticos que fazem parte do novo grupo foram contra a entrada
da Roménia e da Bulgária na UE.
Roménia Dos 35 eurodeputados romenos 9 fazem parte do Grupo do Partido
Popular Europeu, 12 do Grupo Socialista, 9 do Grupo da Aliança
dos Democratas e Liberais pela Europa e 5 do Grupo Identidade,
Tradição e Soberania. Dos 18 deputados búlgaros
7 vieram endossar as fileiras do Grupo dos Liberais, 6 fazem parte
do Grupo Socialista, 4 aderiram ao Grupo dos conservadores e um
viabilizou a criação do novo Grupo de extrema-direita.
A Roménia, com 21.7 milhões de habitantes, limitado
a norte e a leste pela Ucrânia, a leste pela Moldávia
e pelo mar Negro, a sul pela Bulgária e a oeste pela Sérvia
e pela Hungria foi o primeiro país da Europa Central e Oriental
a ter relações oficiais com a Comunidade Europeia.
Em 1974, um acordo incluiu a Roménia no Sistema de Preferências
Generalizadas da comunidade e um acordo de comércio e de
cooperação foi assinado em 1991. O Acordo Europeu
entrou em vigor em Fevereiro de 1995. Em 22 Junho 1995, a Roménia
solicitou a adesão á União Europeia.
Desde 1998 a comissão europeia elaborou relatórios
anuais sobre o grau de preparação da Roménia
para a adesão á União Europeia. Em Outubro
de 1999, a comissão recomendou o início das negociações
de adesão com a Roménia e na sequência da decisão
do conselho europeu de Helsínquia em Dezembro de 1999, as
negociações começaram a 15 de Fevereiro de
2000. O conselho europeu de 12 Dezembro de 2003 anunciou a determinação
da UE em concluir as negociações em 2004 e estabeleceu
como objectivo acolher a Roménia como estado membro em Janeiro
de 2007, desde que fossem realizados progressos suficientes em
matéria de observância dos critérios de adesão.
Pois, todos os países candidatos que desejam aderir à UE
devem satisfazer os critérios políticos e económicos
e transpor e aplicar integralmente a legislação e
as normas da UE.
A cimeira europeia que teve lugar em Bruxelas em Dezembro de
2004 endossou a conclusão das negociações e congratulou
o progresso efectuado pela Roménia na transposição
da acquis communautaire, isto é, a ordem legal da união
europeia que deve ser respeitada por todos os estados membros.
O conselho europeu considerou que a Roménia poderia preencher
todas as condições de entrada até á data
prevista de adesão se continuasse os seus esforços
para este fim e se concluísse com sucesso todas as reformas
necessárias e os compromissos assumidos em todas as áreas
da acquis, nomeadamente justiça e assuntos internos, concorrência
e ambiente. O Tratado de Adesão foi assinado no Luxemburgo
a 25 de Abril de 2005. Este Tratado estabelece que a Roménia
se tornaria membro da União Europeia em 1 de Janeiro de
2007, a menos que o Conselho decida, sob recomendação
da Comissão, o adiamento da adesão até 1 de
Janeiro de 2008. A assinatura marca a conclusão do quinto
alargamento da UE. Desde 26 de Setembro de 2005, a Roménia é membro
observador da UE.
A comissão europeia adoptou a 26 de Setembro de 2006 o seu
relatório final de acompanhamento sobre o estado de preparação
para a adesão à UE da Roménia, concluindo
que a Roménia estava suficientemente preparada para assumir
os direitos e as obrigações da adesão à UE
em 1 de Janeiro de 2007. No entanto, para melhorar algumas áreas
em que ainda é necessário desenvolver um trabalho
mais aprofundado, a Comissão propôs um pacote de medidas
de acompanhamento rigorosas.
De acordo com o referido relatório, a Roménia continua
a preencher os critérios políticos para a adesão á UE.
Em relação à luta contra a corrupção
de alto nível a Roménia realizou progressos significativos,
concluindo o seu quadro legislativo de luta contra a corrupção.
Os processos de corrupção de alto nível aumentaram
em numero e não perderam em qualidade. Além disso,
foram lançadas duas campanhas nacionais de sensibilização
do público, principalmente dos funcionários públicos,
para as consequências negativas da corrupção.
Os principais desafios que se colocam na luta contra a corrupção
consistem, por um lado, em garantir o carácter sustentável
e irreversível dos progressos alcançados recentemente
a nível da realização de inquéritos
sérios e imparciais no âmbito dos processos de corrupção
de alto nível e por outro, que todos os intervenientes políticos
demonstrem que estão empenhados em lutar contra a corrupção,
garantindo que ninguém pareça estar acima da lei.
Os resultados obtidos com a reforma em curso do sistema judiciário
são visíveis mas a Roménia deverá agora
garantir uma maior coerência na interpretação
e aplicação da lei. Por alguma razão, o Conselho
Europeu de Dezembro de 2006, decidiu que certas questões
difíceis, tais como as reformas administrativas e judiciais
e a luta contra a corrupção, deverão ser abordadas
numa fase inicial.
A Roménia continua a respeitar os direitos humanos e liberdades
fundamentais. Contudo, verificam-se progressos limitados em relação
ao tratamento de pessoas com deficiência, ao sistema de saúde
mental e protecção e integração de
minorias. As condições de vida em hospitais psiquiátricos
não são as melhores, sendo necessário redobrar
esforços para resolver o problema da superpopulação
em determinadas instituições psiquiátricas
e para garantir efectivos e tratamentos suficientes. A inserção
social da minoria cigana requer esforços adicionais pois
continua a ser um problema estrutural e as condições
de vida continuam a ser em geral inadequadas.
Quanto aos critérios económicos, a Roménia
continua a ser uma economia de mercado viável. Contudo,
a política fiscal deve ser reforçada para melhorar
a taxa de cobrança de impostos. A Roménia está no
bom caminho para fazer face á pressão competitiva
e ás forças de mercado na União.
A Roménia alcançou um considerável grau de
alinhamento com a acquis communautaire. Nomeadamente, levou a cabo
acções determinantes para cumprir os critérios
de adesão nas seguintes áreas: interconexão
dos sistemas fiscais informáticos, realizou progressos significativos
no domínio da aplicação efectiva da legislação
relativa aos auxílios estatais, reforçou a capacidade
administrativa das instituições responsáveis
pelos fundos estruturais, e melhorou as questões relativas
ao ambiente. A capacidade de lutar contra a criminalidade organizada
foi, também, reforçada em termos de funcionários
e de equipamentos. A Roménia fez também alguns progressos
no que diz respeito à recolha e tratamento de animais mortos
e dos subprodutos animais. Contudo, há ainda um número
limitado de questões onde o nível de preparação
da Roménia para a adesão, não é ainda
satisfatório. Tal, é o caso da capacidade operacional
dos organismos pagadores com competência para gerir os pagamentos
directos aos agricultores e operadores no âmbito da politica
agrícola comum e a criação de um sistema integrado
de gestão e controlo adequado (SIGC) para utilização
dos fundos agrícolas da UE. Apesar dos progressos registados,
a Comissão considera que a Roménia não está ainda
totalmente preparada para garantir a gestão e distribuição
da maioria dos fundos agrícolas da UE. Embora tenha sido
criada a estrutura institucional dos dois organismos pagadores,
estes não estão ainda operacionais. Para que tal
aconteça, os organismos pagadores necessitam ainda de contratar
e formar efectivos adicionais, adquirir o equipamento informático
necessário e criar estruturas internas de controlo e de
inspecção. Deverão ser desenvolvidos esforços
contínuos e, nalguns casos, suplementares para garantir
a qualidade do SIGC. O relatório destaca, também,
a necessidade de serem realizados progressos adicionais em relação
ao seguro automóvel, OGMs e erradicação da
peste suína clássica.
Ao confirmar a data da adesão, a comissão, propôs,
como já referido, um pacote de medidas de acompanhamento
para prevenir ou suprir qualquer insuficiência que persista
para assegurar um processo de adesão harmonioso para a Roménia.
Estas medidas incluem: mecanismos de salvaguarda, medidas transitórias,
reajustamentos financeiros dos fundos da UE assim como um mecanismo
de cooperação e de verificação aplicável
ao aparelho judiciário e a luta contra a corrupção.
Estas medidas vêem complementar os instrumentos instituídos
pela comissão com vista a desempenhar o seu papel de guardiã dos
Tratados e garantir a aplicação correcta das políticas
da União em todos os Estados Membros.
Bulgária A Bulgária, com os seus 7.97milhoes de habitantes, tem
hoje um sistema democrático, multipartidário e que
assenta na clássica separação dos poderes
legislativo, executivo e judicial. Este país de maioria
crista ortodoxa está paredes-meias com a Grécia,
a Macedónia, a Roménia, a Servia e a Turquia. Esta
proximidade explica a relevância das comunidades de ascendência
turca de quase 10% e Roma de 5%.
Trata-se de um país cuja história se funde com a
de Todor Zhivkov. Este manteve-se à frente do destino da
Bulgária durante mais de 35 anos. Foi o chefe de Estado
que mais tempo se manteve no poder do antigo bloco soviético,
até 1989.
Com a queda do muro, abriu-se um novo ciclo político. Os
anos noventa foram anos particularmente conturbados, marcados por
uma situação politica e económica instáveis
e por um programa de privatizações em massa.
As negociações para aderir à União
Europeia não foram fáceis, contudo os esforços
encetados e, apesar das condicionantes impostas, tiveram como resultado
a entrada na UE no passado dia 1 de Janeiro.
Hoje e após as ultimas eleições, a 25 de
Junho de 2005, a Bulgária tem um governo de coligação
que assegura 169 dos 240 lugares da Assembleia parlamentar, com
uma maioria de mais de 2/3.
O último relatório da Comissão, de 26 de
Setembro de 2006, garantia que alguns progressos haviam sido feitos
na reforma do sistema judicial designadamente na introdução
de critérios objectivos para a selecção e
avaliação dos magistrados e de um mais eficaz e célere
acesso à justiça. Contudo, a necessidade de introduzir
reformas no Supremo Tribunal de Justiça com vista a garantir
mais eficácia e transparência e a dificuldade na implementação
dos procedimentos penais, persiste. Mais, o código de processo
civil bem com a lei de funcionamento dos tribunais ainda não
foram adoptados e que mantém-se a necessidade de introduzir
alterações à constituição.
A corrupção continua a ser um dos maiores problemas
deste novo membro. Apesar das assinaláveis melhorias no
quadro legal de luta contra a corrupção, são
reduzidos os casos concretos de denúncia, investigações
ou de processos iniciados dos crimes de colarinho branco. A administração
pública permanece particularmente vulnerável, nomeadamente
as agências de recolha de impostos na fronteira e na administração
local.
No que respeita aos casos de alegada "lavagem de dinheiro",
a Bulgária está hoje em consonância com o aquis
communautaire, contudo até à data não há registo
da proposição de qualquer acção judicial
nesta matéria... O sucesso de processos judiciais tendo
por objecto o combate ao crime organizado é incipiente e
a cooperação judicial nesta matéria é manifestamente
insuficiente. Por exemplo, ainda não há a uma sistemática
apreensão dos bens dos infractores.
Na sequência do relatório, foi deliberado que a Comissão
tomará as medidas necessárias para garantir a boa
prossecução das políticas da União
Europeia, designadamente nas áreas judicial e de combate
ao crime organizado.
Adesão da Roménia e da
Bulgária - as claúsulas de salvaguarda
Existem instrumentos específicos que são
exclusivamente aplicáveis à Roménia
e à Bulgária, que estão estabelecidos
no Tratado de Adesão. Estão previstas, três
tipos de medidas de salvaguarda no Tratado de Adesão,
que podem ser tomadas até três anos após
a adesão:
Cláusula de salvaguarda económica geral
(artigo 36): É uma medida de política comercial
clássica. Tem como objectivo dar uma resposta às
dificuldades de adaptação susceptíveis
de serem enfrentadas por um sector ou domínio de
actividade económica num Estado-Membro antigo ou
novo, em consequência da adesão. Estas medidas
só podem ser adoptadas após a adesão
e não devem implicar controlos nas fronteiras.
Cláusula de salvaguarda relativa ao mercado interno
(artigo 37): Caso a Roménia não transponha
a legislação sobre o mercado interno com
uma dimensão transfronteiras, havendo o risco de
que tal venha a ter um sério impacto no funcionamento
do mercado interno, a comissão europeia pode adoptar
medidas de salvaguarda. Tais medidas podem ser adoptadas
até 3 anos após a adesão mas podem
continuar a ser aplicadas para além desta data e
até que a situação esteja regularizada.
A cláusula de salvaguarda relativa ao mercado interno
cobre as quatro liberdades e a outras políticas
sectoriais tais como a politica da concorrência,
da energia, dos transportes, das telecomunicações
e da agricultura, assim como a defesa dos consumidores
e da saúde (por exemplo, segurança do alimentar).
Cláusula de salvaguarda relativa á justiça
e aos assuntos internos (artigo 38): Caso se verifiquem
deficiências graves ou o risco iminente de deficiências
graves na Roménia na transposição
ou na aplicação das normas da UE relacionadas
com o reconhecimento mútuo das decisões judiciais
penais ou civis, a comissão pode, após ter
consultado os Estados-Membros, tomar medidas de salvaguarda.
As medidas de salvaguarda nesta área podem ser adoptadas
durante um período que poderá ir até 3
anos após a adesão, podendo, contudo, continuar
a ser aplicadas para além desta data e até que
a situação esteja regularizada.
Além disso, no que concerne à gestão dos fundos
agrícolas da UE, a comissão introduziu regras específicas
para a Roménia, tento em atenção o eventual risco
de que o seu sistema integrado de gestão e de controlo (SIGC)
não funcione correctamente a partir da data de adesão.
Os fundos cobertos por este sistema representam cerca de 80% dos fundos
agrícolas e dizem respeito aos pagamentos efectuados directamente
aos agricultores assim como as despesas associadas ao desenvolvimento
rural. Este mecanismo adicional confere á Roménia tempo
necessário para desenvolver os trabalhos necessários para
assegurar o bom funcionamento SIGC. A comissão acompanhará de
perto a situação em 2007. Em caso de problemas sistémicos,
que afectem a gestão dos fundos europeus, a comissão decidirá,
durante 2007, se é conveniente retirar provisoriamente 25% dos
pagamentos cobertos pelo SIGC. No decurso dos controlos anuais ex post,
a comissão decidirá manter ou não esta redução.
A comissão, estabeleceu, também, um mecanismo,
baseado no Tratado de Adesão, de cooperação
e de verificação dos progressos realizados
em matéria de reforma do aparelho judicial e de
luta contra a corrupção e a criminalidade,
após a adesão. A Roménia deverá apresentar
regularmente um relatório sobre os progressos realizados
face aos diferentes objectivos de referência. O primeiro
relatório deve ser submetido antes de 31 de Março
de 2007. A comissão apresentará, durante
o mês de Junho, um relatório ao Parlamento
Europeu e ao Conselho sobre os progressos realizados pela
Roménia para atingir tais objectivos. O mecanismo
permanecerá até estes objectivos de serem
atingidos. Se a Roménia não conseguir atingir
os objectivos previstos de forma adequada, a comissão
aplicará as medidas de salvaguarda previstas no
Tratado de Adesão, em cima referidas. Este mecanismo
entrou em vigor a 1 de Janeiro de 2007.
Existem, também, no Tratado de Adesão disposições
transitórias. A primeira categoria compreende disposições
que foram acordadas durante as negociações
em diversos domínios, com o objectivo de impedir
perturbações regionais ou sectoriais nos
novos ou nos antigos Estados-Membros. Trata-se, por exemplo,
da livre circulação dos trabalhadores, da
aquisição de terrenos, dos transportes rodoviários
e de algumas disposições das leis e normas
ambientais e agrícolas da UE. Com a segunda categoria,
a Comissão pode impedir a exportação
para a União de produtos romenos que não
satisfaçam as regras veterinárias, fitossanitárias
e da segurança alimentar, da UE.
Apesar de tudo, a Roménia realizou um processo extraordinário
de reformas e conseguiu uma transformação notável.
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