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Parlamento Europeu, sessao de 11 a a15 de Dezembro
de 2006
POST IT | Carmen Hilário
e Margarida Vasconcelos, 13.12.2006
Lacunas: a regra no novo regulamento para
os produtos químicos
tóxicos
Carmen Hilário e Margarida Vascocelos, 13.12.2006
O Parlamento Europeu aprovou hoje, com 529 votos a favor, 98 contra
e 24 abstenções o acordo negociado entre os representantes
dos três maiores grupos políticos do PE e do Conselho
sobre o registo, a avaliação e a autorização
de produtos químicos. Foram rejeitados a proposta de acordo
de compromisso bem como as emendas propostas pelo GUE/NGL e pelos
VERDES.
O REACH entrará em vigor em Junho de 2007 e será directamente
aplicável em todos os Estados-Membros da UE substituindo
as, hoje, mais de 40 Directivas sobre a matéria em vigor.
Jens Holm, deputado sueco do GUE/NGL disse, no plenário
do Parlamento Europeu "Hoje o Parlamento Europeu falhou para
com os seus cidadãos" "o que parece ser um adequado
pacote legislativo está na verdade repleto de omissões.
Entre outros, substâncias carcinogénicas continuarão
a poder ser usadas sem limite temporal e apesar de existirem alternativas
seguras".
A deputada dos VERDES, Caroline Lucas, acrescentou "Este acordo é um
presente de Natal antecipado para a Industria Química, recompensa
de uma intensa campanha de lobbying. Apesar do actual acordo, os
reais problemas hão-de surgir na implementação
destas regras. Receamos que o objectivo deste regulamento – garantir
aos cidadãos europeus e ao meio ambiente protecção
suficiente contra químicos perigosos – tenha sido
hipotecado na procura de um acordo."
A deputada britânica disse ainda que "apesar da fase
legislativa ter sido relativamente transparente, à excepção
dos triálogos finais, a implementação do REACH
promete ser um processo opaco em que a Industria Química
terá uma influência determinante, procurando enfraquecer
o REACH ainda mais. É inaceitável que a futura Agencia
Europeia das Substancias Químicas, responsável pela
preparação das decisões nestas matérias,
possa ser secretamente condicionada. Resta-nos esperar que os consumidores
façam pleno uso do seu direito à informação
sobre as substâncias nos produtos de consumo corrente de
tal forma que o sector de retalho retire voluntariamente produtos
que contenham estas substâncias químicas perigosas." Factos relevantes do compromisso:
*A maior parte das substâncias químicas não
são abrangidas pelo pacote legislativo. Apenas 30.000 das
100.000 substâncias químicas no mercado serão
abrangidas.
*O pedido de adequada sinalização dos produtos que
contenham substâncias químicas perigosas foi retirado.
*Não há limite temporal para a retirada das substâncias
químicas perigosas dos produtos de consumo. Isto tem como
consequência directa a redução de incentivos
na investigação de alternativas mais seguras.
*O principio da substituição será, na pratica
ineficaz - substancias muito perigosas podem continuar a ser utilizadas
mesmo quando existem alternativas , desde que isto seja efectuado
no âmbito de "um controlo adequado". Isto abarca
substâncias que podem alterar o ADN, causar cancro, perturbar
o sistema endócrino e o reprodutivo.
Venham mais dois
O Parlamento Europeu aprovou ontem, 12 de Dezembro, a nomeação
dos novos membros da Comissão Europeia: Meglena Kuneva,
da Bulgária, Comissária para a Defesa do Consumidor
e Leonard Orban, da Roménia, para o Multilinguismo. Os novos
comissários iniciarão funções no dia
1 de Janeiro de 2007 e o seu mandato decorre até 31 de Outubro
de 2009, juntamente com os dos Comissários actualmente em
exercício de funções.
...para a defesa do consumidor
Meglena Kuneva, foi questionada pelas Comissões do Mercado
Interno e Protecção dos Consumidores e do Ambiente,
Saúde Pública e Segurança Alimentar sobre
a sua capacidade de integração no Colégio
de Comissários, os limites orçamentais e temporais
que lhe são impostos, a protecção dos consumidores
nos novos Estados-Membros e o crédito ao consumo. A nova
comissária sustentou a necessidade de harmonização
das legislações nacionais em matéria de protecção
dos consumidores, salientou a importância de uma melhor comunicação
neste domínio. Prometeu, também, manter um diálogo
com os consumidores e com as organizações de defesa
do consumidor, assim como reforçar a comunicação
com o Parlamento Europeu e com os governos nacionais. Relativamente à questão
dos meios orçamentais que terá ao seu dispor, Meglena
Kuneva respondeu que esses limites vão ajuda-la a "definir
melhor as prioridades".
...e para o multilinguismo
Por sua vez, Leonard Orban respondeu às perguntas das Comissões
da Cultura e Educação e dos Assuntos Constitucionais
relativas ao multilinguismo nas instituições europeias
e aos recursos para tradução e interpretação,
a cooperação intercultural e as línguas minoritárias.
O comissário Romeno sublinhou a importância do multilinguismo
enquanto fonte de identidade europeia afirmando que "o inglês
não é suficiente" e que a União Europeia
necessita de diversidade. Leonard Orban tem dois objectivos principais:
a qualidade das traduções, interpretações
e publicações, tendo em vista uma melhor comunicação
na UE e entre a UE e os cidadãos e manter os custos inerentes
ao multilinguismo a um nível razoável. Alem disso,
pretende estabelecer um diálogo com as minorias e promover
o ensino de línguas nas escolas.
Protecção das águas subterrâneas
O plenário aprovou, também, as novas regras para
a protecção das águas subterrâneas.
Sendo um recurso natural valioso que é utilizado para o
abastecimento de água para o consumo humano, assim como
para a agricultura e a indústria, é, portanto, fundamental
que estas águas sejam protegidas. Assim, o âmbito
da directiva foi alargado, de forma a incluir a protecção
das águas subterrâneas não só contra
a poluição mas também contra a "deterioração".
Os Estados-Membros são, então, obrigados a adoptar
todas as medidas necessárias para proteger este recurso
natural e têm dois anos para transpor esta directiva para
a legislação nacional.
Atribuição do Prémio Sakharov 2006
Alexander Milinkevich recebeu de Josep Borrell, Presidente do
Parlamento Europeu, o Prémio Sakharov 2006. No seu discurso perante
o plenário o líder da oposição na Bielorússia
manifestou a sua gratidão pela "alta distinção",
atribuída a "todos os bielorussos que continuam a combater" pelo "direito
fundamental de viver num país livre". Salientou a situação
difícil em que o seu país se encontra, apelou "que
a ajuda europeia fosse alargada e mais flexível", através
da "ajuda aos meios de comunicação social livres,
apoio à sociedade civil e às pessoas reprimidas" e
pediu ao Parlamento Europeu que impeça "um novo muro
de Berlim" entre a UE e o seu país", a "última
ditadura que se mantém na Europa". Mais acrescentou
que "para apoiar a democracia em países como o meu, é tempo
de criar um Fundo Europeu para a Democracia que tenha meios reais
para trabalhar com os países ditatoriais", e prometeu
que "brevemente, a Bielorússia voltará à família
europeia e será de novo um Estado livre e democrático".
Josep Borrell afirmou que as palavras de Milinkevich "farão
história" e manifestou a sua confiança em que "a
sociedade bielorussa – onde dez milhões de pessoas
carecem de liberdade democrática – viverá numa
Europa democrática, livre e próspera".
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