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Parlamento Europeu, 11-15 de Dezembro
de 2006
Venenos e televisões...
Carmen Hilário, 11.12.2006
Na sessão plenária do Parlamento Europeu desta semana
e, em véspera de férias natalícias, os grandes
destaques são a votação final do REACH e a
Directiva sobre os serviços de comunicação
audiovisuais.
O Parlamento Europeu começará, a 12 de Dezembro,
com a entrega do Prémio SAKHAROV 2006 a Alexander Milinkhevich,
líder da oposição na Bielo-Rússia,
pela sua contribuição para o respeito dos direitos
humanos e para a promoção da democracia. Não é a
primeira vez que este prémio vai parar à Bielo-Rússia.
Desta feita, por imposição da direita, que fez o
que pôde para evitar que o prémio fosse parar a Ghassan
Tuéni, um libanês, apoiado por socialistas e pela
esquerda unitária.
O plenário votará ainda a nomeação
dos dois novos comissários europeus propostos, Meglena KUNEVA
e Leonard ORBAN, respectivamente da Bulgária e da Roménia.
No próximo dia 13 de Dezembro, votam-se dois dos dossiers
mais importantes e volumosos desta legislatura. Um, arrasta-se
vai para 3 anos - o do registo, avaliação e autorização
de produtos químicos. Caso seja aprovado, o REACH entrará em
vigor em Junho de 2007 e o cidadão europeu terá,
em princípio, assegurado uma melhor protecção
ambiental e de saúde. "Em princípio", porque
a directiva visa ao mesmo tempo reforçar a competitividade
e a inovação na indústria dos químicos,
objectivo potencialmente contraditório com o primeiro. As
duas grandes inovações são a criação
da Agencia Europeia das Substâncias Químicas e a inversão
do ónus da prova sobre a segurança dos produtos químicos
comercializados. A partir de Junho compete à indústria
provar a segurança do que produz. Este é um passo
positivo. Quem é responsável pela produção,
venda e importação de produtos químicos deve
avaliar os perigos que decorrem do seu uso e tomar as medidas necessárias
para gerir os riscos que daí possam advir. Todo o debate
gira agora sobre a extensão dessa responsabilidade, que
a indústria considera onerosa e, portanto, "anti-competitiva"...
A revisão da directiva "Televisão sem fronteiras" é o
segundo pacote em apreciação. No centro do debate
está a relação entre televisão e publicidade.
Uma não vive sem a outra, já se sabe. Mas também
se sabe que, nas televisões comerciais de canal aberto,
a programação é pensada em função
da publicidade e que esta se transformou no principal móbil
da própria televisão. As emendas parlamentares à directiva
visam limitar e equilibrar os interesses contraditórios
entre criadores, emissores e consumidores. O resultado final encontra-se
ainda em aberto sobre vários aspectos relevantes - nomeadamente
no condicionamento à colocação de produtos
nos programas, formas de sinalização deste facto,
e ainda na relação entre programas e intervalos publicitários
e direitos a resumos de transmissões.
Finalmente, o Parlamento Europeu debate ainda o alargamento da
UE, um dos principais assuntos da agenda do Conselho Europeu de
14 e 15 de Dezembro.
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