| PARLAMENTO EUROPEU,
sessão de 6 de Julho de 2006
Imigração e desenvolvimento
em debate
Intervenções de Miguel Portas
Debate do relatório de Stavros Lambrinidis
sobre estratégias e meios para garantir a integração
de imigrantes na União Europeia
Senhor Presidente
Caros colegas,
A escala nacional não resolve os problemas levantados pelos
fluxos migratórios. E a Europa tem faltado ao encontro com
os imigrantes que a procuram.
A União trata de capitais
e circulação de mercadorias, mas não de quem
vê na Europa o sonho de uma vida digna. Apoio por isso maior
transparência. Bem como o sentido geral das propostas do
colega Stavros Lambrinidis. A imigração é um facto social total. Diz
tudo sobre as nossas sociedades. Para mim, é claro que o
Sul virá sempre para Norte. E tanto mais quanto o Norte
não se encontrar com o Sul.
A imigração não é um caso de polícia.
E só há um critério justo para as nossas escolhas
nesta matéria: o respeito pela dignidade humana.
A Europa não tem autoridade para falar de Direitos Humanos
se não os pratica na sua própria casa.
Fechamos o Mediterrâneo e o preço é a morte
no mar.
Deixamos milhões sem papéis e o preço é uma
sociedade atravessada por um muro invisível que separa os
cidadãos dos não cidadãos.
Eis o que é preciso mudar: os futebolistas não podem
ser a excepção que alivia as nossas consciências.
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Debate do Relatório
de Marie-Arlette Carlotti sobre desenvolvimento e migração
Sr Presidente, O relatório da colega Carlotti vai na boa direcção.
Ele constata que a ajuda ao desenvolvimento é necessária,
mas não chega. Propõe novos instrumentos e medidas.
Eles podem melhorar as condições de vida dos imigrantes
e a sua relação com os países de origem. É uma
abordagem justa e inteligente. Substituiria a actual política,
concentrada no controlo das fronteiras, por uma estratégia
de fluxos migratórios nos dois sentidos.
A relatora reconhece
que a Europa fortaleza está condenada.
E que o seu preço é inaceitável: a morte no
Mediterrâneo. Só falta ao relatório uma posição
clara sobre os centros de detenção: são inaceitáveis à luz
dos Direitos Humanos.
A relatora reconhece que uma fronteira invisível coloca,
de um lado, os cidadãos; e do outro, quem não tem
papéis, e é condenado à clandestinidade. Ao
relatório só falta a consequência: não
podem continuar a existir imigrantes sem papéis.
Por aqui passa o princípio da cidadania.
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Debate do relatório
de Frithjof Schmidt sobre comércio equitativo e desenvolvimento
Sr Presidente,
No momento em que as negociações na Organização
Mundial do Comércio chegaram, uma vez mais, ao impasse, é bom
que este Plenário aprecie um relatório sobre comércio
justo.
Nós sabemos que ele é residual do ponto de vista
do comércio internacional. Que 1 milhão de camponeses
dele hoje beneficia. O que é muito e muito pouco. É precisamente
por isto que a União Europeia se deve comprometer com ele.
Senhor comissário, também o pode fazer por outras
razões: nem que seja para limpar a consciência de
uma Política Agrícola Comum que espalha fome e miséria
pelos países do Sul. Mas que faça. Mesmo que o comércio
justo não passe de uma flor na vossa lapela.
Outros - camponeses, técnicos agrícolas, redes de
comercialização não usurárias, e consumidores
- lhe darão outro fôlego.
O colega Schmidt tem boas propostas. Em particular, a diminuição
do IVA e o fim dos direitos de importação para os
bens do comércio justo.
Mas o seu valor maior é o de apontar um caminho e um princípio
de esperança: com mais comércio justo, o Mundo pode
ser bem melhor.
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