| Sessão de
15 de Fevereiro de 2006.
Debate sobre a confrontação
do Irão à comunidade internacional
Miguel Portas (GUE/NGL),
"Sr. Presidente,
Nada, mesmo nada, recomenda a teocracia de Teerão. É
um regime ignorante e arrogante, como o provam as declarações
do seu presidente sobre o holocausto. Nem Le Pen faria melhor.
É ainda um regime reaccionário e fundamentalista,
que viola diariamente os Direitos Humanos. Aliás, como outras
monarquias do médio Oriente.
Finalmente, é um regime perigoso e aventureiro. Aposta a
sua sobrevivência no enriquecimento de urânio, o que
o coloca à porta do clube das armas nucleares.
Entendamo-nos:
a Europa deve fazer tudo - menos a guerra - para evitar que Teerão
disponha de armas nucleares.
É, por isso mesmo, que não estamos de acordo com
a resolução proposta, nomeadamente o seu ponto 7.
A passagem da questão iraniana para o Conselho de Segurança
das Nações Unidas é um passo errado e irresponsável.
Aproxima o mundo de uma nova guerra preventiva, agora sob a forma
de intervenção militar cirúrgica.
A Europa tem alternativa a esta escalada. Pode e deve transformar
o que hoje é problema, numa extraordinária oportunidade
para a Humanidade e o povo iraniano.
Recordo-vos o artigo VI do Tratado de Não Proliferação
Nuclear e, cito:
"Cada uma das partes do Tratado assume a responsabilidade
da prossecução das negociações relativamente
ao fim da corrida ao armamento nuclear e para um tratado que vise
o desarmamento total e completo ao abrigo do controlo internacional."
É por aqui - e não pelos tambores da guerra - que
se deve começar.
Os Estados da União Europeia - que subscreveram o tratado
- têm na sua mão a oportunidade de inverter a lógica
escondida das armas nas negociações com o Irão.
Basta que proponham um plano concreto para o compromisso que eles
mesmo assinaram. Em vez da arrogância, Chirac, Blair e Merkel
deviam oferecer ao mundo um sinal de boa-fé.
Ao contrário do que afirmou o Conselho, a Europa não
fez tudo o que podia, nomeadamente não fez o principal: o
passo que pode evitar que a actual drôle de guerre dos cartoons
se transforme numa escalada militar de proporções
incontroláveis.
Só a Paz traz a Paz.
Antes que seja tarde."
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