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O caso Vaxholm
ou como o princípio do país de origem começa
a mostrar as suas potencialidades
Renato Soeiro em Estrasburgo, 26-10-2005
No dia 25 de Outubro, Durão Barroso veio
finalmente ao Parlamento Europeu responder pelas afirmações
provocatórias do seu Comissário responsável
pelo Mercado Interno e os Serviços contra a Suécia
e o seu modelo social.
Mas recuemos um pouco para entendermos melhor
os contornos deste caso, que fez subir a temperatura dos debates
na Europa nas últimas semanas.
A empresa Laval, da Letónia, tinha ganho
o concurso para a empreitada de construção de uma
escola na Suécia, na cidade de Waxholm. O sindicato sueco
da construção civil pressionou então a empresa
para que assinasse o contrato colectivo de trabalho do sector.
A empresa recusou, afirmando querer aplicar aos seus trabalhadores
destacados na Suécia as convenções de trabalho
da Letónia. Gerou-se um conflito e os sindicatos organizaram
um bloqueio à Laval, do qual viria a resultar a sua declaração
de falência e um processo nos tribunais suecos e europeus.
O Comissário McCreevy declarou então que em todo
o processo defenderia a posição da Laval e que as
condições sociais suecas estavam a ser um entrave
ao desenvolvimento do mercado único.
As reacções às declarações
do Comissário foram enérgicas, não só na
Suécia, mas também da Confederação
Europeia de Sindicatos e de alguns grupos do Parlamento Europeu,
que exigiram a presença do presidente da Comissão
para explicações.
Defendendo as liberdades de circulação
e de prestação de serviços, Barroso deu uma
no cravo outra na ferradura, elogiando o modelo social sueco e
o seu balanço muito positivo. Mas a clivagem não
podia ser mais nítida. Os liberais defendendo uma Europa "aberta,
dinâmica e competitiva" e colocando-se do lado da construtora,
as diferentes forças de esquerda e centro-esquerda defendendo
a preservação dos programas sociais e criticando
que se possa lançar trabalhadores com menos regalias contra
outros a fim de rebaixar os seus níveis salariais e de protecção
social.
A verdade é que isto hoje já é possível à luz
das regras em vigor na União. Mas a procissão ainda
vai no adro. O princípio do país de origem é a
espinha dorsal da directiva Bolkestein que está neste momento
em discussão no Parlamento Europeu e que em breve será votada.
Será que o caso Waxholm irá fazer soar os alarmes
nas consciências empedernidas de muitos socialistas europeus
que estão dispostos a aceitar a directiva, mesmo que numa
versão vagamente mitigada?
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