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Sessão plenária de 24 de Outubro
de 2005
Debate do relatório do Deputado Vasco Graça Moura,
em nome da Comissão da Cultura e
da Educação, sobre o programa «Cultura 2007» (2007-2013)
Intervenção de Miguel Portas, em
nome do GUE/NGL:
Sr Presidente,
Para a Comissão
e para o Conselho a cultura é um problema de
visibilidade da União Europeia.
Tem sido e continua a ser
este o verdadeiro objectivo do programa "Cultura". O
primeiro mérito do relatório de Graça Moura é que
se distancia dessa visão que instrumentaliza a criação
cultural para fins de
projecção política.
Mas este não é o único mérito, porque
a Comissão e o Conselho querem máxima visibilidade
com recursos mínimos, por
isso se concentram os apoios em poucas acções, organismos
e iniciativas. É uma má opção. Em nome
da visibilidade tem
faltado Europa a tantos projectos que dela precisam. É isto
que, em segundo lugar, o relatório também se propõe,
a seu
modo, corrigir. Ele valoriza os projectos até dois anos,
simplifica procedimentos para apoios financeiros, aposta na
transparência dos concursos e introduz a valorização
do património e a diversidade linguística nos objectivos
do programa.
São razões mais que suficientes para um voto favorável.
As Perspectivas Financeiras continuam bloqueadas pela Presidência
inglesa. As prioridades de Tony Blair, como se sabe,
são outras, mas creio que todos aqui estão de acordo
sobre um ponto: a proposta de 600 milhões de euros para
este
programa é o mínimo dos mínimos se a União
quiser apresentar-se aos criadores e produtores culturais como
uma
instituição que ainda dá algum valor às
palavras que profere. Quero acreditar que os deputados e deputadas
da Comissão
da Cultura saberão avaliar a proposta final em função
deste valor e que o Conselho entenda a mensagem.
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