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Sessão plenária de 25 de Outubro
de 2005
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O Plenário discutiu o Relatório de Vasco da Graça
Moura sobre o Programa Cultura para 2007/2013. Miguel Portas apoiou o sentido
geral das propostas, que tentam inverter a prática da União
neste domínio: "máxima visibilidade com um mínimo
de recursos". E reforçou a crítica à dotação
global que o Conselho propõe, muito aquém dos mínimos.
Texto
do Relatório
Resolução aprovada Intervenção
de Miguel Portas
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Sete notas sobre o Programa Cultura
1. As dotações que a União tem destinado à Cultura
sublinham o lugar que esta ocupa na construção europeia:
uma nota de rodapé de página. Para o período
de 2000 a 2006, a dotação foi de 236 milhões
de euros, pouco mais de 35 milhões por ano. E antes disso,
nem isso. A verba que a Comissão propõe para o novo
período é de 408 milhões. Parece um grande
aumento. Na realidade, é de apenas 14 por cento (ver exposição
de motivos no Relatório).
2. O motivo para montantes tão baixos é que a Cultura
se considera, nos Tratados, matéria de exclusiva competência
dos estados Membros. À União compete apenas "cobrir" o
que potencie a mobilidade de agentes e projectos culturais.
Mas - há sempre um mas - os responsáveis europeus
repetem à exaustão frases bonitas como "não
há Europa sem Cultura" ou, "a União é,
acima de tudo, uma comunidade de valores e Cultura". Desta
contradição, resulta uma política: a Cultura
apoiada pela EU deve ser, acima de tudo, "visível".
E dar "imagem" ao projecto político europeu.
3. Com recursos escassos, isto faz-se do único modo que é possível:
apoiando "mega-projectos" e "grandes projectos";
e atribuindo subsídios directos, sem concurso, a algumas,
poucas, dezenas de instituições. Esta a política
que, em linhas gerais, a Comissão propõe que prossiga
até 2013.
4. O Relatório de Vasco Graça Moura intervém
sobre as duas variáveis da equação: a dotação
mínima indispensável para o Programa; e a filosofia
que lhe preside.
5. Onde a Comissão propunha uma dotação de
408 milhões de euros para sete anos, o Relatório
opõe 600 milhões.
600 milhões de euros é muito pouco. Para se ter
uma ideia, uma Conferência, "Sharing Cultures",
promovida no ano passado pela Fundação Europeia de
Cultura, em paralelo a uma reunião europeia dos ministros
da Cultura da União, considerava que a dotação
necessária para este Programa se deveria situar em 315 milhões
de euros... por ano.
E, como se sabe, os movimentos culturais têm-se batido,
a nível nacional e europeu, por verbas destinadas à cultura
que representem 70 cêntimos por habitante. Nada demais, portanto.
Mesmo que a verba fosse de 700 milhões, isso representaria
um milésimo do Orçamento, aos valores actuais. Se
a proposta de Graça Moura peca, é por defeito.
Fui solidário com a proposta, porque foi essa que vingou
na Comissão de Cultura e Educação, contra
aquilo que é a proposta da Comissão. Porque até esta "migalha" terá de
ser arrancada ao Conselho dos primeiros-ministros da União.
E também quero ver como acabarão os eurodeputados
desta comissão por votar as Perspectivas Financeiras, se
o montante que propuseram não vier a ser a opção
final...
6. O Relatório cede à Comissão na sua intenção
de entregar a gestão do Programa Cultura a uma entidade
externa. E destina à essa gestão 8 por cento do seu
próprio orçamento. É um absurdo. Até hoje
tem sido a União a proceder à administração
directa do programa Cultura. Tem as condições logísticas,
recursos humanos e expertise para tal. E onde não tenha,
pode arranjar... O Relatório, neste particular, apenas reduz
de 8 para 6 por cento a margem para a gestão do Programa.
A ideologia dominante manda que tudo o que é público
se faça em outsorcing. O argumento é o da eficiência
e da poupança. Este caso demonstra exactamente o contrário.
Mais de 30 milhões de euros são desviados para uma
duplicação privada de funções. E, como é óbvio,
a Comissão não desatará, por causa disso,
a despedir funcionários…
Temos um programa cuja finalidade é exibir-se. E uma gestão
que visa alimentar-se a si mesma...
7. Apesar disto, apoio o relatório porque ele entra em
ruptura com a lógica que tem dominado a política
cultural da União. O Relatório tem por objectivo
o aumento da transparência na atribuição dos
apoios, e a abertura a projectos de pequena e média dimensão.
Um exemplo para se perceber melhor:
A Comissão propõe que 33 por cento do orçamento
se destine a apoiar projectos de 5 anos, co-financiados pela EU
até 50 por cento. Estes projectos devem ser promovidos por
um mínimo de 6 operadores de 6 países. Estas regras
limitam drasticamente as possibilidades de candidatura, reservando-as
exclusivamente a grandes operadores culturais que já funcionam
em rede. É o monopólio de muito poucos.
Em alternativa, o Relatório sustenta que se podem candidatar
projectos de 3 a 5 anos e de 6 operadores de 4 países, e
que passe a ser possível a substituição de
operadores durante a duração do projecto aprovado.
Ao mesmo tempo, diminui de 33 por cento para 29 por cento, a dotação
para esta linha de financiamento.
Esta mesma diferença acentua-se no apoio a projectos de
1 ano, que a Comissão entende que devem envolver 5 operadores
de 5 países. O Relatório defende que esta linha apoie
projectos até 2 anos; que os financie até 70 por
cento; alarga os intervalos de montantes por projecto, quer para
baixo, quer para cima; admite que eles possam ser propostos por
apenas 3 operadores de 3 países; e o peso desta linha de
financiamento subiria de 24 para 30 por cento.
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