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Sessão de 28 de Setembro de 2005
Debate sobre a reforma
das Nações Unidas
Intervenção
de Miguel Portas,
em nome do Grupo GUE/NGL
Sr. Presidente,
Também eu gostaria de dizer que o copo das Nações
Unidas se encontra meio cheio. Mas todos sabemos que nem isso, infelizmente,
é verdade.
A verdade é que a cimeira foi um fracasso.
Certo, a Assembleia reafirmou os modestos Objectivos de Desenvolvimento
do Milénio. Mas foi proibida de passar das palavras aos actos.
Alguém impediu que os países doadores se comprometessem
com metas claras em matéria de ajuda financeira. De concreto,
temos um copo cheio de palavras e uma mão cheia de nada.
A Assembleia ensaiou também votos piedosos contra a proliferação
das armas nucleares. Mas muitos impedem o compromisso com uma estratégia
de desarmamento. E sem ela, o clube nuclear continuará inevitavelmente
a proliferar.
A Assembleia queria ainda a reforma das Nações Unidas.
Mas alguém fez tudo para que tudo ficasse na mesma.
Esse alguém tem nome: John Bolton, a voz autorizada do Império
nas Nações Unidas.
A senhora comissária Ferrero Waldner referiu o Katrina.
De facto, entre a tragédia de Nova Orleães e o fracasso
de Nova Iorque, há um elo evidente: a administração
norte-americana.
Em Nova Orleães, a lei é simples: quem tem carro,
safa-se; quem não tem, lixa-se. No mundo idealizado pelo
imperador, é o mesmo.
Washington não quer ouvir falar dos pobres do mundo porque
nem dos seus trata. Para a Casa Branca, os pobres são, pura
e simplesmente, uma perda de tempo e dinheiro.
Sr Presidente,
O meu grupo votará favoravelmente a resolução
de compromisso porque, embora tímida, vai na direcção
certa. Porque precisamos de Nações Unidas fortes e
credíveis, e valorizamos todos os pequenos passos que se
possam fazer nesse sentido.
Mas entendamo-nos:
Só teremos Nações Unidas respeitadas quando
a Europa e o resto do mundo enviarem a Washington os sinais correctos.
Ainda hoje muitos decidiram aqui falar grosso à Turquia.
Gostaria de os ver com igual altivez em relação a
Washington...
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