| Sessão de
12 de Maio de 2005
Debate sobre a estratégia de informação
e de comunicação da União Europeia
Miguel Portas, em nome do Grupo GUE/NGL. –
O colega Chiesa colocou o dedo na ferida. E o dedo na ferida é
o enorme divórcio que existe entre as Instituições
Europeias, as suas lideranças, e os cidadãos. Isto
resolve-se com boas políticas e não apenas, nem principalmente,
com boas técnicas. Onde divirjo, e fortemente, da opinião
da Sr.ª Comissária, é que quando falamos de comunicação
falamos de dois, e quando falamos de dois não falamos de
um que dá a informação e de outro que a recebe.
Esta é a concepção pré-moderna de comunicação
que continua a prevalecer nas opiniões das lideranças
europeias.
Sobre o relatório, ele faz um esforço grande para
chegar a pontos de consenso ou de convergência, que merecem,
contudo, três observações:
A primeira sobre as fronteiras entre cultura e comunicação.
Toda a cultura é comunicação mas a inversa
não é verdadeira. E é por isso que discordamos
das Instituições europeias poderem financiar obras
de ficção e filmes que tenham por objectivo declarado
divulgar e promover os "ideais europeus". As obras por
encomenda prejudicam a cultura, prejudicam a criação
e, prejudicando a criação, prejudicam a Europa.
A segunda objecção é sobre as fronteiras entre
informação e propaganda. Podemos querer envolver as
instituições nas campanhas dos referendos, mas o que
é verdade é que o essencial - porque de comunicação
se trata - é garantir o contraditório, o direito ao
contraditório e isso não está na proposta que
temos para discutir.
E em terceiro lugar, uma referência final à inteligência
no uso dos meios e dos dinheiros públicos. A ideia de um
canal parlamentar é burocrática, antiga, parada no
tempo. É uma péssima ideia. Ao contrário, a
aposta na Euronews, a aposta numa informação com salvaguarda
da independência editorial, é o caminho. O caminho
em que possamos ver notícias de que não gostemos.
mportas@europarl.eu.int
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