Miguel Portas para o Sol 8.6.2007
A minha amiga viajou ininterruptamente desde as duas da
manhã para chegar a Lisboa pela uma da tarde desse mesmo
dia. Assistiu ao fim dos trabalhos da Convenção e
levei-a a almoçar. À Expo, para que visse o Tejo.
Não acreditou que fosse um rio. Parecia-lhe antes o mar.
Depois, perguntou-me se podia pedir marisco. Claro que podia. A
minha amiga é uma palestiniana da Cisjordânia. Apesar
de viver a 100 quilómetros do mar, nunca nele molhou os pés.
E marisco é um luxo a que não se dá nem em
dias de festa. A minha amiga nunca tivera antes licença para
sair do seu país. E mesmo agora, a autorização
foi apenas para Portugal. Ler...
Iniciativa
de Jerusalém
Nestes dias em que se marcam os 40 anos da ocupação
israelita dos territórios palestinianos, teve lugar em Jerusalém
Leste uma conferência internacional organizada em conjunto pelo
Partido do Povo da Palestina (PPP) e pelo Partido Comunista de Israel
(PCI). Ler...
[...]
E a cada dia que passa, novas tragédias
pessoais se juntam a esses 21,1 milhões de pessoas que tiveram
que fugir de suas casas e deixar uma vida para trás. Por
estes dias, encontramos centenas de palestinianos encurralados num
corredor entre a Faixa de Gaza e Israel, sem poder avançar
nem recuar. Ler...
Nos últimos dias, os media noticiaram
combates em Gaza e na Cisjordânia entre militantes armados
da Fatah - ligada ao Presidente – e do Hamas – que detém
o governo. Do actual impasse ou começa uma guerra civil,
ou se constitui um governo de unidade nacional, ou se realizam eleições
antecipadas. Como pano de fundo, greves em carrossel atingem a Palestina
desde meados de Agosto. Pura e simplesmente, as pessoas têm
fome e não há salários que cheguem. Exigem
do governo o que sabem que ele não tem – dinheiro.
Ler...
Admitamos
por 1 minuto que a história desta guerra começou com
o rapto de um soldado que integrava as forças de defesa israelita
ao perímetro de Gaza. Ou seja, que foram “eles”,
os palestinianos, “que começaram”. [...]
A desproporção da resposta, mais do que óbvia,
indigna o mais endurecido dos corações. Mas para a
embaixada de Israel justifica-se: “Lembramos mais uma vez
que foi o próprio povo palestiniano que elegeu um governo
dirigido pelo Hamas, uma organização terrorista”...
Ler
artigo
O
restabelecimento da ajuda e dos compromissos estabelecidos com a
Autoridade Palestiniana foi exigido, a 7 de Junho, pela Comissão
Política da Assembleia parlamentar euro-mediterrânica.
Esta posição, mais clara do que a tomada durante a
sessão plenária do PE em fins de Maio, visa responder
à catástrofe humanitária que se adivinha nos
territórios sob administração palestiniana.
Ontem, uma repotagem publicada no Le Monde dá igualmente
conta do quotidiano dos palestinianos nos campos de refugiados do
Líbano.
PALESTINA Caravana para Jerusalém arranca
de Estrasburgo
2 de Julho de 2005
(clique nas fotos para aumentar)
Foi em registo festivo que 150 europeus de 11 países largaram
hoje de Estrasburgo em direcção a Jerusalém.
Esta Caravana pelos direitos atravessará a Europa e chegará,
dentro de 15 dia ao seu objectivo com 600 manifestantes. Antes do
arranque, foram recebidos em Estrasburgo por um grupo alargado de
deputados.
Punir os inocentes é crime
Com este mesmo título,
Jimmy Carter critica asperamente os EUA e a UE pela suspensão
dos compromissos financeiros contraídos com a Autoridade
Palestiniana (AP). Este corte nos fundos - que o quarteto internacional
responsável pelo road map cobriu, apostando em canais paralelos
para ajuda humanitária - afecta directamente o pagamento
de salários a 165 mil trabalhadores, que já vão
com 2 meses de atraso. Estima-se que 25 por cento das famílias
palestinianas dependam destes salários para a sua sobrevivência.
Cinicamente, Benita Ferrero Waldner, sustentou esta semana em artigo
publicado no Le Monde, que os salários não dependem
do apoio europeu, mas dos impostos que Israel recolhe na Palestina
e que deixou de entregar à AP...
Os
media difundiram a imagem pelo mundo: prisioneiros políticos
palestinianos de roupas na mão, escoltados por soldados do
Tsahal, o exército israelita, após o assalto que realizaram
à prisão de Jericó, até então
sob monitorização norte-americana e britânica.
Mais...
Pelo buraco
da agulha Miguel Portas, DN
Opinião, 26.08.05
Não se percebe o drama que cresce em Gaza sem conhecer aquela
língua de terra onde vivem mais de um milhão e trezentos
mil palestinianos. Sobrelotada, sem qualquer viabilidade económica
enquanto não se puder abrir ao exterior, mal administrada,
e presa dos mais variados bandos armados, é uma imensa prisão
de deserdados.
Por
terra ocupada Miguel Portas para o GLOBAL,
Dezembro 2004
No dia em que Arafat fazia a sua última viagem da Muquata
para o hospital em Paris, uma delegação de 14 deputados
europeus chagava à Terra Santa para uma visita não
oficial à Palestina e a Israel.
Arafat,
Miguel Portas, DN Opinião, Sintomas,11.11.04
LIGAÇÕES:
Stop
the wall. net
Site da campanha do povo palestiniana contra o Muro do Apartheid
protection-palestine.org
Site da campanha civil international para a protecção
do povo palestiniano
B'Tselem
The Israeli Information Center for Human Rights in the Occupied
Territories
A face da “divina
inspiração” Miguel
Portas, DN Opinião, 08.10.05 já se sabe o que decidiu a guerra no Iraque. Não
foram as armas que não existiam nem os químicos que
nunca se encontraram. Também não foram os tormentos
de um povo às mãos de um ditador. Nem mesmo os interesses
petrolíferos das companhias norte-americanas ou as expectativas
de negócio com armamento, segurança e reconstrução
das firmas patrocinadas pela Casa Branca. Confidentes de G.W.Bush
revelaram que a decisão do imperador, afinal, foi tomada
por “inspiração divina”. Pelo menos foi
isso que este lhes garantiu... Mais...
Terra
queimada Miguel
Portas, DN Opinião, 03.09.05 Foram terroristas? Um falso alarme?
O pânico de multidões em fuga? Ou a inépcia
dos vários serviços de segurança? Provavelmente
foi um pouco de tudo isto e ainda outro tanto do que ainda não
se sabe. Mas a tragédia da ponte do imã Ali, em Bagdad,
e as suas mil vítimas têm a carga de uma metáfora.
Nada corre bem no mais castigado dos países. Nada. Nem mesmo
uma manifestação de fé.
Mais...
Exécito
norte-americano testou novas armas em Falluja
Um terrível e doloroso documentário sobre a tragédia
de Falluja foi apresentado em Estrasburgo, depois de ter sido exibido
pela Rai italiana há algumas semanas. É o resultado
de uma investigação no Iraque e nos EUA que prova,
com imagens, que o exército de ocupação utlizou
fósforo branco na reconquista da cidade, em fins de 2004.
Além de comprovar o uso de armas químicas, o documento
abre uma nova pista: que naquela cidade martirizada tenham sido
experimentadas novas armas.
Fallujah Miguel Portas,
DN Opinião, 18.11.04
Fallujah não é apenas mais uma tragédia humana
a acrescentar a outras - mais mil e quinhentos mortos; mais uns
milhares de feridos; ou ainda mais umas dezenas de milhares de novos
desalojados. Fallujah é tudo isso e muito mais. É
o cemitério onde se enterram as ténues esperanças
que ainda pudessem existir de uma solução política
para o conflito iraquiano. Mais...
O PROCESSO DE SADDAM
OUTUBRO 2005 Saddam em tribunal A
Justiça dos vencedores, Miguel
Portas, 20.10.2005
O canal francês Arte passou há dias um longo documentário
sobre os bastidores do julgamento de Saddam Hussein, que hoje se iniciou
em Bagdad. Ouviu quem tinha que ouvir. Um especialista de direito
internacional que esteve no início da preparação
do julgamento e que depois se afastou; o responsável pela formação
que os acusadores públicos receberam fora do Iraque; o responsável
norte-americano no terreno, que acompanhou tudo, da preparação
da sala de audiências à investigação no
terreno; juízes e acusadores, sem qualquer experiência
em direito penal; testemunhas de alguns dos crimes que vão
estar em julgamento; e a equipa de advogados de defesa do ditador,
entretanto despedida pela sua filha. Esse documentário é
um documento. Devia passar na televisão portuguesa para explicar
a quem quisesse, como não se deve fazer um julgamento. Mais...
Ao fim de três semanas de guerra passamos
em revista a tragédia: um país refém de uma
agressão criminosa que está para durar; uma segunda
nação, a palestiniana, que continua a ser atacada,
mas onde a cobertura passou para as notas de rodapé; uma
Europa que, procurando distanciar-se dos EUA, uma vez mais é
raptada pelos seus governos mais atlantistas; e uma tragédia
humanitária sem precedentes na região. Tudo em nome
de "um novo Médio Oriente" - o que se descobre
no atoleiro iraquiano. Mais...
Regresso pela estrada de montanha por onde entrei,
vindo de Damasco. A fronteira ainda está aberta. Por poucos
dias, aliás. O cenário já é distinto
do da chegada, três dias antes. Descendo para o vale de Beckaa,
novos camiões de alimentos jazem, calcinados, nas bermas.
A caixa aberta de um deles tem ainda os legumes à vista.
Um pouco mais abaixo, uma jornalista da Al Jazzira faz o seu directo
com uma vila por cenário. Também aí caíram
os castigos do céu.
Israel atacara pela manhã as encostas do vale. Voltaria
a fazê-lo nos dias seguintes. Mais...
Os
microfones captaram, em off record, um palpitante momento
do almoço do G8. A G.W. Bush, a braços com a tragédia
iraquiana, não quer que as coisas derrapem, por agora, no
Levante Mediterrânico. Não há tropas para tudo,
nem aliados regionais que tudo aceitem sem pestanejar. De momento,
prefere a redução de danos. Depois de nas Nações
Unidas, os EUA terem vetado uma resolução que apelava
ao cessar fogo, é elucidativo o comentário que fez
a Blair: “a ironia disto é que eles têm de conseguir
que a Síria faça com que o Hezzbollah pare de fazer
aquela merda”. Como?, se o imperador não se digna a
falar com ditadores? “Vou telefonar ao Annan (nr: secretário
geral das ONU) para falar com o Assad (nr: presidente sírio)”...
Depois de o Hezbollah ter demonstrado a sua influência popular
entre os mais pobres do país, o movimento democrático
pela restituição da soberania ao Líbano respondeu
com a maior das suas concentrações no centro de Beirute.
Ao mesmo tempo, no Sul, o Partido de Deus mobilizava os seus partidários
para outra gigantesca manifestação. Todo o povo se
move.
Líbano:
quando os cedros tomam a palavra Miguel Portas, GLOBAL, Março
05
O homem mais rico do país foi assassinado. Um movimento
pacífico derruba nas ruas o governo pró-sírio.
A comunidade xiita reage e demonstra a sua força. Entretanto,
a França espreita a sua oportunidade, os EUA querem humilhar
e vergar Damasco, e a Europa, mais uma vez, não existe.
Quando
os tontos falam do que não conhecem, Miguel Portas, DN Opinião
12.03.05
A política no mundo árabe raramente é o
que parece. E no Líbano muito menos. Por isso aqui seguem
umas notas adicionais de viagem às hipocrisias da política
internacional.
Curdistão
turco: onde democracia rima com Europa
Oito deputados da esquerda unitária europeia deslocaram-se
ao curdistão turco. Falaram com organizações
de direitos humanos, partidos, sindicatos e presidentes de câmara.
Reuniram também com o governador turco da região.
e estiveram com comunidades marcadas por 17 anos de um conflito
que os militares turcos se recusam a enterrar. Reportagem no GLOBAL, Janeiro 2005