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Tradução de uma notícia publicada no jornal holandês De Telegraaf, 21.02.2006

ESTUFAS TRANSFORMADAS EM CAMPOS DE ESCRAVOS

"Apanhadores de cogumelos polacos seriamente maltratados"

"Já vimos muita coisa, mas tão sério como isto ainda não". O dirigente do FNV (Federação Sindical Holandesa) Balthussen está chocado agora que o sindicato encontrou situações medievais numa cultura de cogumelos em Rossum (nordeste da Holanda). Segundo o sindicato dez mulheres polacas e dois homens foram tratados como escravos durante vários meses.

As mulheres, na idade de 23 a 54 anos declararam terem sido agarradas pela garganta e de terem sido agredidas com lanternas de bolso. Segundo o FNV, os polacos foram tratados de forma desumana e postos a trabalhar em condições miseráveis. Quando recusaram trabalhar por falta de pagamento, foram até maltratados e raptados", afirma Balthussen.

Os escravos polacos relatam, que sem luz, às vezes, fizeram semanas de trabalho indescritíveis de 120 horas e regularmente trabalhavam 24 horas seguidas nas salas escuras da estufa. Alguns deles afirmam que deviam colher cogumelos durante 96 horas com pausas de apenas duas horas no máximo por um salário muito reduzido.

"Por vezes deixavam alguém dormir num sítio qualquer, quando já não aguentavam", afirma Dorota, uma das mulheres maltratadas. Remunerações com base no trabalho não haviam. "Era pouco, mas foram prometidos quatro euros por hora, mas nem sequer esse pouco foi pago. Sentiam-se forçadas a ficar, para receber algo do salário prometido", disse Balthussen. A remuneração final chegou a ser menos de um euro por hora. As mulheres apenas receberam algumas vezes um avanço de 100 euros. O sindicato calculou que as mulheres ainda têm direito a milhares de euros pelos empregadores. Foram recrutados na Polónia e até deviam pagar 150 euros para poder trabalhar nos PB através de Distrimex Polska, uma Agência de Subcontratação do neerlandês Gerard K, em Heijen. Os apanhadores de

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cogumelos foram à cultura de cogumelos de Tonny de G., em Rossum. "Quando recusámos trabalhar porque ainda não tínhamos sido pagos, Tonny de G. ameaçou fechar o aquecimento na nossa casa e avisou-nos para voltarmos imediatamente ao trabalho", afirma uma das mulheres chocadas.

Nesse mesmo dia, cinco homens fortes atacaram a casa onde estavam alojados doze trabalhadores. Nas denúncias, as mulheres descrevem homens de dois metros que as atacaram violentamente. Fomos agarradas pela garganta e pensei que ia ser estrangulada", relata Dorota. Fui agredida com uma lanterna de bolso na parte de trás da cabeça. A seguir fomos todos empurrados para duas carrinhas e levados por Gerard K." Um agente da polícia descreve na denúncia ferimentos com um diâmetro de quatro centímetros. As mulheres escaparam-se quando uma delas ligou por telemóvel para um número de um advogado que lhe tinha sido dado pela Embaixada (Polónia). Depois foi informada a polícia.

As mulheres fizeram uma denúncia detalhada do trabalho de escravos e dos maus-tratos. Na denúncia afirma-se, entre outros, que G. teria uma grande dívida e que foi por isso que recusou pagar. A polícia recusa revelar mais sobre o caso.

Gerard K. não está contactável para comentários. Tonny de G. afirma não saber nada do assunto. Aluguei a minha empresa ao K. e não tenho nada a ver com essas mulheres. É uma história absurda.". Em fotografias vê-se como de G. estava junto com as mulheres. "Às vezes bebia uma cerveja com elas", declarou. Quanto ao seu nome relacionado com os maus-tratos, diz: "Estou muito surpreendido. Não estava presente nessa altura".

Os "escravos" polacos estão actualmente numa casinha em Herwijnen (sul da Holanda) e são acompanhados pelo sindicato. Não têm dinheiro para voltar para a Polónia e esperam que através da mediação do sindicato e da polícia ainda lhes sejam pagos os ordenados a que têm direito.