PARLAMENTO EUROPEU
O compromisso com a
China
18.06.2007
Teve lugar no Parlamento Europeu em Bruxelas nos dias 13 e 14
de Junho a conferência "Engaging with China", onde se
debateram três temas: energia e ambiente, condições
de trabalho dignas e as relações internacionais.
Na abertura da conferência, o Eurodeputado Martin Schulz enfatizou
a necessidade do desenvolvimento das relações EU-China “num
espírito de respeito mútuo e garantia dos interesses
comuns.”
Will Hunton, repórter do "Observer" e chefe executivo
da "Work Foundation", apresentou nesta conferencia o
seu último livro "The Writting on the Wall: China and
the West in the 21st Century" (2007) e desafiou a Europa "a
manter a cabeça virada para o fenómeno chinês",
incentivando o aprofundamento do mercado único na vertente
da competição.
No primeiro painel desta conferencia, "A China e a energia
- o dilema do desenvolvimento", e segundo Shi Yaodong, do
Centro de Investigação e Desenvolvimento da China, "o
sector da energia tem acompanhado o rápido crescimento económico.
O PIB quadruplicou enquanto o consumo de energia duplicou durante
1980-2000. A indústria de carvão é a maior
do mundo. Em 2005, a produção de energia primária
na China alcançou 2.21 bilião em toneladas equivalentes
de carvão, o que representa 7.3% de crescimento. Por outro
lado, 94% das fontes de energia provêm de fontes domésticas".
Dave Feickert, conselheiro para a segurança nas minas, referiu
que existem 5 milhões de mineiros na China, os acidentes
de trabalho são comuns e 2/3 da mortalidade têm lugar
nas minas privadas. Mas ao mesmo tempo, o preço do carvão
na China é de 50 dólares por tonelada, o que representa
uma verdadeira corrida ao ouro negro. Este orador fez ainda referência à poluição
que a extracção de carvão causa e às
doenças pulmonares, que atingem um elevado número
de trabalhadores.
No entanto, Shi Yaodong referiu também que a China é o
país com o maior número de painéis solares.
Por sua vez, Elisabeth Economy, Directora de Estudos sobre a Ásia,
do Conselho para as Relações Exteriores em Nova York,
diz-nos que o problema mais difícil em termos de ambiente é a água:
o acesso à água potável. Na China muitas cidades
do Norte vão ficar sem água, enquanto o país
perde 20% do líquido devido a canalizações
deficientes. Tecnicamente, a China aparece classificada como um "deserto" e
existem de facto muitos refugiados climáticos.
A China é um pais imenso e reemergiu como a maior potência
na ultima década. Tornou-se na quarta maior economia e o
terceiro maior exportador, assim como uma importante força
politica. Este país imenso atravessou um longo período
de humilhação mas tem também procurado construir
um sistema alternativo ao Ocidental. Desde a década de 1980,
assistimos à emergência de um fenómeno novo:
a combinação entre um comunismo autoritário
e um capitalismo selvagem, a que alguém já chamou "estalinismo
de mercado". Este modelo revelou para já toda a sua
pujança: as viagens espaciais; o crescimento económico
três vezes superior ao dos EUA; um investimento massivo em África.
O que será aqui imprevisível? Ao contrário
dos seus congéneres ocidentais, os manuais de estratégia
militar chinesa estabelecem que a vitória não consiste
em vencer o inimigo na batalha, mas sim em miná-lo por dentro,
de modo a que a batalha nunca tenha lugar.
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