Apelo
Dêem uma oportunidade à Paz!
Três anos passaram
sobre a invasão do Iraque e a marcha da democracia,
triunfalmente anunciada pela Administração Bush, revela-se
um terrível embuste. O Iraque sintetiza bem os danos que
as doutrinas neo-conservadoras estão a causar à Humanidade,
justificando o expansionismo militar em nome da democracia, torturando
em nome dos direitos humanos e usando armas químicas em nome
da civilização. Hoje, o Iraque está à
beira da guerra civil, e a Paz surge cada dia mais distante.
A invasão do Iraque não trouxe nem a democracia nem
a Paz ao Médio Oriente. Israelitas e palestinianos parecem
mais longe do que nunca de uma Paz justa e duradoura; nenhum passo
democrático se descortina nas monarquias teocráticas
do petróleo em relação às mulheres e
aos direitos dos imigrantes; no Irão, o regime isola-se e
choca o mundo com ambições e revisionismos obscenos;
no Egipto, o governo manipula abertamente as eleições
pondo a nu a hipocrisia do Ocidente; no Afeganistão reorganizam-se
os talibans e o comércio do ópio; de Istambul a Carachi
e de Ramallah a Rabat, quem se reforça são os islamistas
mais sectários.
Três anos depois da invasão do Iraque, o mundo está
mais injusto e muito mais perigoso, à beira da proliferação
em cascata de armas nucleares de destruição maciça.
A falta às obrigações de desarmamento por parte
das potências nucleares é, aliás, um incentivo
para que novos actores se tentem armar. As relações
internacionais encontram-se reféns desta escalada, do
desprezo pelo Direito Internacional, do enfraquecimento das Nações
Unidas, e do sacrifício dos Direitos Humanos no altar da
«guerra contra o terrorismo».
Cientes de que a resposta à banalização da
guerra constitui um indeclinável dever de cidadania, e solidári@s
com quant@s, a 18 de Março, por todo o mundo, se vão
manifestar pelo fim da ocupação do Iraque, @s signatários
-
Exigem a fixação de um calendário de retirada
das tropas ocupantes do Iraque, condição de uma
solução política que garanta a paz e a
unidade do Estado iraquiano.
-
Apelam a um acordo político sobre o programa nuclear
iraniano, que impeça a sua deriva armamentista, exigindo,
simultaneamente, das potências nucleares a responsabilidade
de se comprometerem com uma estratégia para o seu próprio
desarmamento, como o Tratado de Não Proliferação
Nuclear prevê no seu artigo VI.
- Rejeitam a amálgama entre Islão e terrorismo,
bem como os revisionismos e incitamentos anti-semitas, que os
instigadores do “choque de civilizações”,
a Oriente e Ocidente, vêm utilizando para preparar
as respectivas opiniões públicas, quer para futuras
acções militares, quer para novas e mais restritivas
políticas quanto à imigração.
Antes que seja de novo tarde demais, mobilizemo-nos!
Só a Paz traz a Paz!
Subscrevem
Ana Gomes, Boaventura Sousa Santos,
Padre Anselmo Borges, Domingos Lopes, Elisa Ferreira, Fernando Nobre,
Frei Bento Domingues, Isabel Allegro, José Manuel Pureza,
Luís Moita, Maria João Seixas, Miguel Portas, Pedro
Bacelar Vasconcelos, Viriato Soromenho Marques
|